Arquivos mensais: Março 2015

Isso precisa ser dito sobre nossa Segurança Pública

A ação das polícias é sempre muito discutida, pois entre as agências estatais responsáveis pela prevenção à violência, somos quem lida com os efeitos de múltiplas e complexas causas. Mesmo com o esforço constante para priorizar a prevenção e a antecipação, sabemos que sempre haverá a necessidade da ação pontual de repressão qualificada (é assim em todo o Mundo). Embora seja importante discutirmos as ações onde as polícias usam a força, incluindo aspectos técnicos/legais, é fundamental também observar mais profundamente o cenário das práticas violentas em nossa sociedade.

Sabemos que os jovens são as principais vítimas e autores de violência (inclusive letal) no Brasil – segundo o Mapa da Violência 2014, enquanto a taxa de homicídios da população geral no Brasil é de 29 por 100 mil habitantes, a taxa entre os jovens é de 57,6 por 100 mil habitantes.

Por isso, gostaria de propor aqui no blog uma reflexão sobre as causas da condução dos nossos jovens a esse preocupante cenário. Em especial, me parece que devemos analisar o primeiro e mais importante núcleo social do qual fazemos parte, e que é o alicerce da trajetória de todos nós: a família.

É na família onde aprendemos valores básicos, e onde encontramos o suporte afetivo adequado para encarar os desafios da vida. Se a família está desestruturada, o indivíduo torna-se vulnerável, e tentará preencher seu vazio de outras formas, nem sempre seguras, éticas e engrandecedoras. Ressalte-se que não importa sua classe social: valores familiares não estão ligados a poder aquisitivo.

Quando falta a família, o jovem não tem a oportunidade de aprender os limites da sua atuação na sociedade, que exige respeito e consideração ao próximo. Ele não tem suporte e abertura para o diálogo e orientação. O afeto acolhedor que compensa as dificuldades da vivencia inexiste. Essa combinação muitas vezes se transforma em violência, um desafio para as organizações públicas, que não possuem jurisdição direta sobre o relacionamento familiar.

À Polícia Militar, juntamente com outras organizações do Estado (principalmente as escolas), cabe estar presente entendendo e orientando da maneira mais próxima possível. É o que estamos fazendo mais intensamente nas nossas Bases Comunitárias de Segurança, ganhando jovem a jovem, orientando as famílias, ajudando-as a conseguir o fôlego necessário para tornar seus filhos cidadãos plenos. Tudo isso com a participação de múltiplos atores, entes públicos e privados.

Não é fácil, não é simples, mas é nossa responsabilidade e prazer. Como sempre digo: a Polícia Militar e a Comunidade na Corrente do Bem.