Arquivos mensais: julho 2015

Sobre desvios de conduta

Desvios de conduta

A Polícia Militar da Bahia é uma das maiores organizações públicas do Brasil, com cerca de 30 mil homens e mulheres em seus quadros, contratados mediante concurso público estruturado em rigorosas etapas de seleção. Realizamos provas de conhecimentos (Direito, História, Português, Matemática, Redação etc), exame psicológico, exame físico e médico e sindicância social que analisa a vida pregressa dos candidatos.

Após aprovado, o candidato é encaminhado para o Curso de Formação, com duração mínima de 9 meses, onde é observado, avaliado e exigido para que se torne um policial militar exemplar. Caso consiga a aprovação em todas as disciplinas, e possua comportamento digno, este aluno adquire o direito de vestir a nossa farda.

Mesmo após todas essas etapas, a PMBA se mantém vigilante, dispondo de corregedorias setoriais em todas as organizações policiais-militares, e de uma Corregedoria Geral, que é responsável por coordenar e fiscalizar os trabalhos das demais corregedorias.

Também dispomos de um Departamento de Promoção Social, que visa dar apoio psicológico, jurídico e social aos nossos policiais militares. Sabemos que a atividade policial possui desafios peculiares, distintos de qualquer outra profissão, por isso nos mantemos atentos a dar suporte ao homem ou à mulher que esteja carente de ajuda em qualquer uma dessas dimensões.

Depois de entender esse cenário, o leitor perguntará: “é possível que haja desvio de conduta com todo esse trabalho?”. A resposta é “sim”, mas não por falta de esforço institucional, não por leniência e corporativismo, não por má vontade em punir e fiscalizar. Pelo contrário, como foi dito, acompanhamos incessantemente nossos policiais não só prevenindo, mas também reprimindo qualquer tipo de abuso cometido, pois entendemos que o exemplo de bom comportamento deve residir no policial.

Falar sobre desvios cometidos por policiais é tão complexo como desvendar a natureza humana. Todos nós temos caráter, conduta e educação, valores que não foram criados pela Polícia Militar. Não existe método que permita ler permanentemente as intenções de todos os milhares de componentes da nossa Corporação. Como ocorre em qualquer organização humana, há quem se aproveite de determinado contexto para praticar atos execráveis.

Mas, na condição de Comandante Geral, com dezenas de anos vivenciando e analisando nossa Corporação, posso dizer com certeza duas coisas. A primeira é que, diferentemente do que às vezes se noticia, os casos de desvio representam uma pequena minoria da Corporação. Imagine o leitor o caos que viveríamos se tivéssemos grande parte de mais de 30 mil homens e mulheres praticando abusos. Impensável!

A segunda é que nunca compactuaremos com quem desonra a nossa farda, e permite que nossos honrosos e esforçados profissionais sejam confundidos com quem não merece ostentar nossas insígnias. O Comando da PMBA tem a obrigação de dar todas as condições de trabalho e motivação a nossa tropa, que, por sua vez, deve se mostrar sempre correta, honesta e cortês com a comunidade, sem deixar de exigir o cumprimento da Lei quando necessário.

É a PMBA e a Comunidade na Corrente do Bem!

A relação entre diferentes gerações na PMBA

As diferentes gerações na PMBA

No momento em que comemoramos 80 anos da nossa Academia de Polícia Militar, gostaria de comentar aqui no blog sobre o que se costuma chamar de “choque” de gerações. Geralmente este termo é utilizado para designar a relação entre dois ou mais grupos de pessoas que se diferenciam por ter nascido com vários anos de diferença entre eles.

Nós, policiais militares, “nascemos” para a Instituição entre os 18 e 30 anos, momento da nossa vida em que ingressamos na PMBA, seja como praça ou oficial. E logo após ingressarmos temos que nos relacionar com outros policiais militares com 20, 25, 30 ou até mais anos de serviço prestados. Impossível não haver diferenças, pois as experiências, visões de mundo e conhecimento são, de fato, distintos.

Entretanto, esse “choque” é benéfico, e faz parte de qualquer organização social. Os novatos geralmente representam a mudança, a inovação, a disposição, a inquietação. Os experientes geralmente representam a moderação, a cautela, a paciência, a sabedoria.

Como se vê, a existência da Polícia Militar da Bahia depende dessas duas vertentes. Como na física, todo choque libera energia, e é essa energia que alimenta a nossa sustentabilidade, pois devemos caminhar sempre atentos e abertos a mudanças, mas ao mesmo tempo respeitando e valorizando as nossas tradições.

O aspirante ou o soldado recém-formado dever ter como referência os companheiros mais experientes. O coronel e o subtenente devem ter a humildade de ouvir e considerar os entendimentos daqueles que serão o futuro da Corporação.

Apenas bons frutos pode-se colher dessa saudável relação!