Arquivos mensais: novembro 2015

A trágica falta de respeito à vida

A trágica falta de respeito à vida

Nos últimos dias, três tragédias me remeteram a uma só preocupação: a falta de responsabilidade e valorização da vida nos tempos em que vivemos. Vimos dezenas de pessoas serem assassinadas brutalmente na França, por iniciativa do terrorismo que descaracteriza princípios religiosos para praticar a barbárie.

Vimos o catastrófico rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, que gerou sérios danos ambientais, e também ceifou muitas vidas humanas. Mais próximo a nós, policiais militares baianos, tivemos a perda de uma companheira de farda bem querida por todos, a Soldado PM Dulcineide, que era lotada no Subcomando Geral da PMBA, e foi vítima de uma ação criminosa enquanto estava em serviço.

Embora cada uma dessas tragédias tenha seu próprio encadeamento de fatos, penso que a desconsideração do valor à vida passa por todos eles, servindo de alerta para a constituição moral e social que estamos praticando. Precisamos, com urgência, refletir profundamente sobre a falta de sensibilidade que vem caracterizando nossa época, onde valores básicos, essenciais para a nossa existência, estão sendo abandonados.

“E não podemos admitir relativismos, pois não há motivo justo para quem ceifa a vida de alguém”

Quando me refiro à urgência da reflexão, estou declarando que todos esses fatos não podem nos deixar inertes, reféns de um modelo de convivência perverso e primitivo. A paz não é um cenário que alcançamos por omissão, pelo contrário: é preciso ser proativo para garantir que haja respeito, tolerância e dignidade nas relações humanas.

Precisamos negar a ambição desenfreada, o lucro pelo lucro, sem consciência social e humana. Devemos colocar limites claros aos interesses particulares: nada é mais importante do que a preservação da vida, o bem máximo e prioritário para a civilização. E não podemos admitir relativismos, pois não há motivo justo para quem ceifa a vida de alguém (salvo em legítima defesa ou outros casos garantidos por lei).

Como cada um de nós pode agir para mudar o atual estado de coisas? Não há solução mágica. O problema, e a mudança, está em cada um de nós, agindo proativa e positivamente no cotidiano, nas pequenas ações, que juntas podem constituir uma verdadeira revolução humana. Buscar em si mesmo cada pequeno traço de insensibilidade é a forma mais efetiva de mudar o mundo. Só assim teremos sucesso enquanto humanidade!

Mídias Sociais e Democracia

Mídias Sociais e Democracia

Sou um adepto das formas democráticas de comunicação. O advento das mídias sociais, por exemplo, tem gerado grandes vantagens não só para o cidadão, mas para as organizações públicas, como a Polícia Militar da Bahia, que pode tornar-se mais acessível através dessas ferramentas. Este blog e os demais veículos de mídia social da PMBA são grandes exemplos de interação produtiva e eficiente proporcionada por esse momento ímpar da tecnologia da informação.

Ao tempo em que devemos aproveitar todos esses recursos disponíveis para propagar o bem, também devemos ser cautelosos e responsáveis ao utilizá-los. Todos sabemos que veículos de comunicação (qualquer que seja) são capazes de esclarecer, informar e criar laços positivos, mas também podem arruinar reputações, propagar inverdades e gerar espirais de medo e ódio. Nós, policiais militares, que lidamos com temas muito sensíveis, que envolvem Direitos Fundamentais, devemos estar sempre atentos a isso.

Percebam a ingenuidade e descompromisso que muitos usam o verbo “repassando”, bastante comum no compartilhamento de conteúdo nas mídias sociais (principalmente no WhatsApp). Precisamos entender que, ao “repassar” algo, não estamos isentos de responsabilidade do que estamos propagando. É assim que ocorrem as reações em cadeia de falsas informações, que podem gerar pânico social, a ponto de mudar comportamentos e desagregar a estabilidade de uma comunidade.

Outro cuidado necessário na utilização das novas mídias é a divisão entre o que é público e o que é privado. O acesso a poderosas ferramentas de comunicação acabou tornando cada cidadão uma “celebridade” em potencial, algo que mexe com os brios e vaidades de qualquer ser humano. O problema é que, nem sempre, é seguro, construtivo e conveniente se expor. Apenas uma linha separa o que é produtivo do que é destrutivo.

Um ponto importante a se ressaltar é que as mídias sociais não constituem ambiente isento de alcance da legalidade. Existem inúmeros casos de crimes de racismo, por exemplo, praticados nas mídias sociais, que foram objeto de apuração e responsabilização pela Justiça. Numa sociedade cada vez mais conectada, é imprescindível que as regras democráticas sejam mediadoras das relações interpessoais para garantir que direitos não sofram lesões.

É de conhecimento público que o computador, inventado por engenheiros da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, teve como objetivo inicial realizar cálculos para a artilharia norte-americana durante a Guerra Fria. Hoje, esta fantástica invenção é utilizada para os mais diversos fins pacíficos. Não podemos permitir que as mídias sociais, nascidas em sociedades democráticas e utilizadas para a democratização de muitas sociedades, sigam o caminho inverso, servindo a fins impróprios aos princípios cidadãos.