Arquivos da categoria: Sociedade

A violência contra policiais jamais será tolerada na Bahia

A morte de policiais na Bahia

Infelizmente em janeiro fomos apanhados por casos de violência contra os nossos policiais, o que nos preocupa de maneira especial. Ao todo, sete integrantes da nossa Corporação perderam a vida de forma precoce. Em um dos eventos trágicos, no dia 22 de janeiro, fomos surpreendidos por um grupo criminoso que bloqueou o município de Bom Jesus da Lapa e tirou a vida, de forma covarde, de dois jovens policiais militares. Diante deste cenário, precisamos rever os nossos procedimentos, técnicas e prevenção.

Para isso, precisamos somar esforços. Apesar de contarmos hoje em nosso Estado com uma estrutura pujante de inteligência e de termos a parceria dos diversos órgãos de defesa social, não há como prevermos eventos que ocorrem dentro da rotina de cada um dos nossos policiais, como um roubo a ônibus. São situações que, quando somamos o ingrediente SER POLICIAL, potencializamos a chance de termos um desfecho trágico, por ser reconhecido ou por, ser vitimado na tentativa de se fazer cumprir a lei.
Nós, policiais, além de proteger precisamos observar com cautela os locais que frequentamos, o comportamento das demais pessoas e evitar reações que nos exponham a riscos. Aprendemos em nossa profissão que o policial intervém apenas nas situações que lhe favorecem: superioridade numérica, ambiente favorável e segurança.

“Tenham certeza que o sistema de segurança pública da Bahia está atuando de forma eficaz para garantir que cada cidadão baiano tenha pleno gozo da sua liberdade e dos seus direitos”

Quando bandidos atentam contra a vida de policiais militares em pleno exercício funcional, eles não agem de forma isolada contra um ser humano, mas também contra estrutura de defesa social do Estado e, nesta medida, a resposta tem que ser dada levando em consideração todos os aspectos. Desde o primeiro momento que recebemos a trágica notícia de Bom Jesus, montamos um gabinete de gerenciamento de crise e só vamos desmobilizá-lo quando encontrarmos os autores dessa barbárie, fazendo-os responder de maneira firme e enérgica, dentro da legalidade.

Também é preciso se levar em consideração que o conceito de respeito, família e educação, passa por um processo de mutação e os efeitos são percebidos no comportamento, desde a infância. Os pais têm uma parcela importante na formação futura de um cidadão, e se ele não é ensinado a conviver com valores e princípios dentro de uma comunidade, a sociedade paga a conta.

Por fim, tenham certeza que o sistema de segurança pública da Bahia está atuando de forma eficaz para garantir que cada cidadão baiano tenha pleno gozo da sua liberdade e dos seus direitos consagrados em nosso ordenamento jurídico. Atuando também de forma firme e resolutiva, reprimindo os criminosos que protagonizaram atentados contra os nossos profissionais e sem deixar, um caso sequer, sem solução. A Polícia Militar segue formando uma corrente do bem por uma sociedade mais justa, participativa e unida.

A PMBA e o novembro negro

Novembro Negro

Em 20 novembro comemoramos o Dia da Consciência Negra, momento simbólico para discutirmos a importância do combate ao racismo, principalmente na Bahia: nossa capital é a cidade do mundo com a maior população negra fora da África. O tema é de importância central para promovermos a garantia de direitos em nosso estado.

Por ser uma prática cultural, o racismo, e outras formas de discriminação, não são abolidos por decreto, embora ajude muito a tipificação do crime em nossa legislação. É preciso discutir, esclarecer e entender nossas raízes históricas para que passos significativos sejam dados no caminho da eliminação do racismo como traço da nossa cultura.

Já temos esforços positivos na Polícia Militar da Bahia: a valorização do NAFRO, nosso Núcleo de Religiões de Matriz Africana e a implementação do estudo de relações étnico-raciais nos nossos cursos de formação são duas medidas já implementadas que tornam a PMBA uma instituição reconhecedora dos desafios que nossa sociedade precisa superar nesse campo.

Entendo que o racismo deve ser permanentemente discutido e problematizado, pelo grau de desumanidade e injustiça social que promove, onde quer que seja praticado. Por isso vejo com bons olhos a iniciativa da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Governo do Estado, que realizará seminários, eventos culturais, rodas de diálogo, além de entregas e certificações para povos e comunidades tradicionais nos territórios de identidade baianos, em cumprimento ao Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa.

A nós, policiais militares, e aos demais cidadãos, cabe a reflexão: o que posso fazer para ajudar a extinguir o racismo da nossa sociedade? Cultura se muda com engajamento social e participação coletiva!

PM e comunidade na corrente do bem!

Você é voluntário?

Você é voluntário?

Vivemos sob uma cultura onde parece que todas as ações precisam ser recompensadas. Ficamos até desconfiados quando percebemos alguém oferecendo ajuda sem buscar nada em troca. Logo dizemos: “quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Mas, se olharmos bem, não é a ação interesseira que sustenta o mundo.

Todos nós, ainda bebês, tivemos o apoio, o carinho e a proteção de alguém que, sem receber nada em troca, dedicou suas energias para que nos formássemos enquanto seres humanos. E é assim que tudo se constrói: sempre há quem esteja disposto a doar algo de bom coração, com compaixão e caridade.

É incrível ver o efeito desse tipo de ação nas nossas Bases Comunitárias de Segurança, onde todo tipo de serviço é prestado por voluntários das próprias comunidades, e até pessoas de fora, que simplesmente se satisfazem com o sorriso e o engrandecimento dos moradores daquelas regiões. Nossos policiais militares muito frequentemente contribuem com atividades em seu horário de folga, por sentirem a importância daquela intervenção para cada membro da comunidade.

Pessoas da área de saúde que prestam atendimento, esportistas que ensinam suas técnicas desportivas, artistas que inspiram um novo olhar para a realidade: as incontáveis iniciativas que temos visto só ratificam o poder do voluntariado, da boa vontade, da compaixão e amor ao próximo.

A cada dia que passa, nossa Corrente do Bem é mais fortalecida pelo sentimento daqueles que acreditam na construção de uma sociedade melhor. Tenha certeza que, em algum lugar, alguém aguarda sua ajuda para mudar de vida. Precisamos nos voluntariar!

Religião, sociedade e a PMBA

Religião, sociedade e a PMBA

Um dos fatores que mais me orgulha observar na Polícia Militar da Bahia enquanto Comandante Geral é a valorização do papel dos nossos núcleos religiosos, algo único no Brasil. Na PMBA possuímos núcleo Católico, Evangélico, Espírita e de Matriz Africana, abrindo espaço não só para que os policiais militares que professam as diversas crenças tenham um espaço institucional onde se identifiquem, mas também para aprofundar o intercâmbio fundamental entre nossa Instituição e as diversas lideranças religiosas no nosso estado.

O papel simbólico dessa diversidade também é fundamental. A Polícia Militar, organização pública, democrática, atuando sob a égide do Estado Laico, deve respeitar todas as crenças religiosas, e até mesmo as descrenças, pois, para o nosso trabalho, a condição de cidadão detentor de direitos é anterior às escolhas que cada um faz no campo da fé religiosa. Por que, então, considerando que vivemos num Estado Laico, temos vários núcleos religiosos em vez de não criá-los?

Simplesmente porque, do ponto de vista de uma Corporação que lida com a multiplicidade social, afirmar essa diversidade é muito mais sensato do que negá-la. Ao nos abrirmos às múltiplas orientações religiosas aprendemos, e ensinamos, a conviver com o diferente, percebendo que o que nos une é infinitamente mais forte que as nossas divergências. É revelador perceber que o Bem é o fundamento maior de todas as tradições, e isso gera tolerância.

Além disso, ao valorizar nossos núcleos religiosos, a PMBA dá um grande estímulo à sociedade para que tenham contato com os ensinamentos superiores dessas religiões. Todas elas possuem ensinamentos éticos, filosóficos-existenciais, morais, sociais, espirituais e familiares muito importantes para evoluirmos enquanto indivíduos e sociedade. Por isso valorizamos e fortalecemos os nossos núcleos religiosos, um símbolo de tolerância, diversidade e coexistência harmônica.

Sobre responsabilidade e liberdade em nossa sociedade

Responsabilidade e liberdade

Um dos princípios fundamentais para a construção de uma sociedade mais pacífica é a responsabilidade. Me refiro à responsabilidade como a capacidade de cada indivíduo perceber o exato efeito que sua ação gera em si mesmo, naqueles que lhe rodeiam e nos demais seres. Um sujeito responsável passa pelos lugares proporcionando alegria, paz e outras boas sensações. O irresponsável leva transtornos, violência de todos os tipos, desconfiança.

Às vezes, olhamos para grandes casos de corrupção e crimes bárbaros com olhos julgadores, mas não percebemos quais mecanismos estão embutidos nessas práticas. Obviamente, devemos diferenciar cada ato pela dimensão que ele possui, mas é fundamental observar também qual o princípio gerador de cada um deles. Aquele que realiza um assalto a banco com certeza age sem se importar com o grande mal que faz aos outros e a si mesmo – correndo o risco de ser preso, por exemplo. Quem consuma esse tipo de crime comete uma grande irresponsabilidade.

O conceito de responsabilidade está diretamente conectado ao conceito de liberdade, pois não é possível ser livre sem ser responsável.

Embora com efeitos bem menores, há outros tipos de irresponsabilidade que devem ser rechaçadas, pois também geram danos, e criam um ambiente negativo, onde a violência pode florescer. Vamos a um pequeno exemplo: invadir o sinal vermelho no trânsito. Ao cometer esse ato você pode causar um acidente grave, trazendo danos a você e a terceiros. O princípio é o mesmo: ignorar os efeitos que seu ato pode gerar em si e nos outros.

O conceito de responsabilidade está diretamente conectado ao conceito de liberdade, pois não é possível ser livre sem ser responsável. Apenas num ambiente de responsabilidade, onde ninguém é capaz de gerar dano a ninguém, podemos ser livres. Ao agir irresponsavelmente agredimos a nossa liberdade e a dos demais, criando instabilidade e insegurança. Por isso é comum ouvir que “toda liberdade traz junto uma responsabilidade”, ou “todo direito traz junto um dever”.

Reivindicar uma sociedade equilibrada é papel de todos nós como cidadãos, mas isso não faz sentido se somos irresponsáveis em nossos atos. Por isso, é importante avaliarmos diariamente nossas ações, refletindo sobre o efeito que elas têm sobre os outros, e sobre nós mesmos.

A nossa cultura e o Dia Internacional da Mulher

Dia Internacional da Mulher

As datas comemorativas nada mais são que instrumentos temporais criados para nos fazer lembrar, todos os anos, de valores e princípios que não devemos renunciar. Nesse sentido, o Dia Internacional da Mulher é o momento de reconhecimento mundial do papel das mulheres em nossas sociedades, levando-nos à reflexão sobre temas de muita relevância, como preconceito contra mulheres, seus direitos e liberdades.

Felizmente, analisando retrospectivamente, o Brasil avançou muito na garantia da igualdade entre homens e mulheres, modificando entendimentos conservadores que impediam as mulheres de acessar recursos antes exclusivos aos homens. O mercado de trabalho é um grande exemplo disso, embora, ainda hoje, sabe-se que há disparidades que precisam ser corrigidas, como a diferença salarial entre homens e mulheres na iniciativa privada.

Como Comandante de uma instituição diretamente envolvida na preservação de direitos e fiscalização de deveres, penso que há desafios culturais ainda a superar, para que distorções como a violência contra a mulher sejam reduzidas. Principalmente nós, homens, devemos olhar para elas sem visões preconcebidas, sem entendimentos estereotipados, permitindo, assim, que as mulheres tenham autonomia em suas trajetórias.

Respeitar as individualidades de cada mulher, como ser humano livre e capaz de fazer suas próprias escolhas, é o primeiro passo para evitarmos a violência e o abuso. Se entendermos que as mulheres podem ser o que elas quiserem, da forma que quiserem, do modo que elas quiserem, passaremos a não mais exigir padrões de comportamento pautados em entendimentos equivocados.

A violência contra a mulher, que temos nos esforçado para combater, através da Ronda Maria da Penha, por exemplo, possui fortes raízes autoritárias de homens que não conseguem conceber autonomia e individualidade às suas companheiras. Refletir sobre isso é essencial para o Dia Internacional da Mulher!

A trágica falta de respeito à vida

A trágica falta de respeito à vida

Nos últimos dias, três tragédias me remeteram a uma só preocupação: a falta de responsabilidade e valorização da vida nos tempos em que vivemos. Vimos dezenas de pessoas serem assassinadas brutalmente na França, por iniciativa do terrorismo que descaracteriza princípios religiosos para praticar a barbárie.

Vimos o catastrófico rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, que gerou sérios danos ambientais, e também ceifou muitas vidas humanas. Mais próximo a nós, policiais militares baianos, tivemos a perda de uma companheira de farda bem querida por todos, a Soldado PM Dulcineide, que era lotada no Subcomando Geral da PMBA, e foi vítima de uma ação criminosa enquanto estava em serviço.

Embora cada uma dessas tragédias tenha seu próprio encadeamento de fatos, penso que a desconsideração do valor à vida passa por todos eles, servindo de alerta para a constituição moral e social que estamos praticando. Precisamos, com urgência, refletir profundamente sobre a falta de sensibilidade que vem caracterizando nossa época, onde valores básicos, essenciais para a nossa existência, estão sendo abandonados.

“E não podemos admitir relativismos, pois não há motivo justo para quem ceifa a vida de alguém”

Quando me refiro à urgência da reflexão, estou declarando que todos esses fatos não podem nos deixar inertes, reféns de um modelo de convivência perverso e primitivo. A paz não é um cenário que alcançamos por omissão, pelo contrário: é preciso ser proativo para garantir que haja respeito, tolerância e dignidade nas relações humanas.

Precisamos negar a ambição desenfreada, o lucro pelo lucro, sem consciência social e humana. Devemos colocar limites claros aos interesses particulares: nada é mais importante do que a preservação da vida, o bem máximo e prioritário para a civilização. E não podemos admitir relativismos, pois não há motivo justo para quem ceifa a vida de alguém (salvo em legítima defesa ou outros casos garantidos por lei).

Como cada um de nós pode agir para mudar o atual estado de coisas? Não há solução mágica. O problema, e a mudança, está em cada um de nós, agindo proativa e positivamente no cotidiano, nas pequenas ações, que juntas podem constituir uma verdadeira revolução humana. Buscar em si mesmo cada pequeno traço de insensibilidade é a forma mais efetiva de mudar o mundo. Só assim teremos sucesso enquanto humanidade!