Isso precisa ser dito sobre nossa Segurança Pública

A ação das polícias é sempre muito discutida, pois entre as agências estatais responsáveis pela prevenção à violência, somos quem lida com os efeitos de múltiplas e complexas causas. Mesmo com o esforço constante para priorizar a prevenção e a antecipação, sabemos que sempre haverá a necessidade da ação pontual de repressão qualificada (é assim em todo o Mundo). Embora seja importante discutirmos as ações onde as polícias usam a força, incluindo aspectos técnicos/legais, é fundamental também observar mais profundamente o cenário das práticas violentas em nossa sociedade.

Sabemos que os jovens são as principais vítimas e autores de violência (inclusive letal) no Brasil – segundo o Mapa da Violência 2014, enquanto a taxa de homicídios da população geral no Brasil é de 29 por 100 mil habitantes, a taxa entre os jovens é de 57,6 por 100 mil habitantes.

Por isso, gostaria de propor aqui no blog uma reflexão sobre as causas da condução dos nossos jovens a esse preocupante cenário. Em especial, me parece que devemos analisar o primeiro e mais importante núcleo social do qual fazemos parte, e que é o alicerce da trajetória de todos nós: a família.

É na família onde aprendemos valores básicos, e onde encontramos o suporte afetivo adequado para encarar os desafios da vida. Se a família está desestruturada, o indivíduo torna-se vulnerável, e tentará preencher seu vazio de outras formas, nem sempre seguras, éticas e engrandecedoras. Ressalte-se que não importa sua classe social: valores familiares não estão ligados a poder aquisitivo.

Quando falta a família, o jovem não tem a oportunidade de aprender os limites da sua atuação na sociedade, que exige respeito e consideração ao próximo. Ele não tem suporte e abertura para o diálogo e orientação. O afeto acolhedor que compensa as dificuldades da vivencia inexiste. Essa combinação muitas vezes se transforma em violência, um desafio para as organizações públicas, que não possuem jurisdição direta sobre o relacionamento familiar.

À Polícia Militar, juntamente com outras organizações do Estado (principalmente as escolas), cabe estar presente entendendo e orientando da maneira mais próxima possível. É o que estamos fazendo mais intensamente nas nossas Bases Comunitárias de Segurança, ganhando jovem a jovem, orientando as famílias, ajudando-as a conseguir o fôlego necessário para tornar seus filhos cidadãos plenos. Tudo isso com a participação de múltiplos atores, entes públicos e privados.

Não é fácil, não é simples, mas é nossa responsabilidade e prazer. Como sempre digo: a Polícia Militar e a Comunidade na Corrente do Bem.

10 comentários sobre “Isso precisa ser dito sobre nossa Segurança Pública

  1. Belas palavras Comandante.
    A luta tem sido grande. Hoje a Polícia Militar da Bahia recebe o apoio moral necessário para a busca na melhoria do serviço prestado a nossa população .No entanto o aumento do efetivo deve ser tratado com prioridade para que aja ganhos ainda maiores na manutenção da segurança e na redução da criminalidade.
    Esperamos que o governador cumpra com sua promessa de campanha e convoque novos policiais para suprir o déficit existente , para isso contamos com sua ajuda.

  2. Concordo a a filosofia do Comandante, na minha opinião a família é de suma importância, na formação de crianças e adolescentes por isso tem que se pensar urgentimente em políticas públicas nas comunidades unindo policias e sociedade no sentido; pois não vejo futuro nessa geração que aí está.

  3. Boa noite senhor comandante,
    Aproveitando a oportunidade e já que o senhor quer saber as opiniões tanto da tropa, quanto da comunidade, aqui vai o meu apelo.
    Vamos ter um pouco mais de respeito com os alunos soldados, existe uma turma em formação, faltando menos de 2 meses para completar os 9 meses de formação e até então não tem uma data definida para formatura. Sendo assim os mesmos não podem reservar espaço para festa, nem contratar buffet e banda para o baile de formatura. A última turma formada, em 26 de setembro de 2014, sabia a data exata de formatura, 6 meses antes, apenas pelo fato de ser ano político.
    Sei que não era a sua gestão, contudo, o que se ouve é que a data de formatura depende da sua palavra, juntamente com o EFAP. Fica aqui o meu apelo, que seja definida uma data de formatura, para que possamos nos programar, juntamente com a nossa família e certo do empenho do senhor, aguardo ansioso uma definição.

  4. Muito feliz em suas considerações, Comandante! Pena que a sociedade continua dormindo em relação importância da família na vida do indivíduo. Pelo contrário, a sociedade tem contribuído para o esfacelamento da família tradicional, menosprezando-a e transferindo o papel social da família para as instituições, sobretudo, para a Polícia. Estamos todos pagando por esse equívoco.

  5. Tomar o esfacelamento da família como a principal causa da perda dos valores morais e éticos na sociedade é um fato notório, cediço.
    A retomada desses valores – como ocorre em esforço ciclópico nas instituições de ensino, não será suficiente para o processo regenerativo do caráter social das pessoas. Na medida em que, sem a participação da comunidade, pais e responsáveis, tornar-se-á um trabalho de Sísifo.
    O brasileiro tem vivido, notadamente por intermédio das via midiáticas, um escárnio do quanto valoroso é a construção da personalidade de uma criança no seio familiar saudável; o quanto uma atmosfera familiar estável é importante no plasmar de um ser humano igualmente estável e lúcido dos seus direitos e deveres.
    A idiotização de se ter respeito aos mais velhos, aos pais e aos decanos, são hábitos ditos como ultrapassados e superados. Quando assistimos cotidianamente os seriados televisivos, visualizamos o desmerecimento do trabalho hercúleo realizado pelas escolas para o resgate dos valores em família. Temos a mensagem explícita e palpável de que as regras e os princípios éticos e morais de outrora não são mais aplicáveis: que o sim, senhor e sim, senhora, são manifestações de fraquezas, de submissão, e não representam mais as relações interpessoais.
    Sim, temos um novo mundo. Mas muito mais desprovido de inteligência emocional quanto nas relações desenvolvidas na pré-história, nas era das cavernas. A valorização do universo universalizado, de contatos imediatos, nos tornou seres humanos muito mais ignorantes, com inversões de valores, onde bem não é tão bem assim, e o mal é relativo.

  6. Particularmente sempre acreditei na interação PM Comunidade, sempre acreditei que a ocupação do território favoreceria a sociedade na medida em que o crime não encontraria espaço para suas ações. O policiamento ostensivo, no meu entender é a grande mola mestra da Polícia MIlitar desde os tempos em que usávamos a farda azul petróleo e chamávamos as duplas de Cosme e Damião, uma alusão aos santos protetores da gente mestiça e negra da Bahia. O P.O. simples e bem qualificado, aperfeiçoado e porque não dizer “especializado”, francamente adequado aos nossos dias faz frente a uma necessidade imperiosa em todas as comunidades e bairros elegantes, a necessidade de ir e vir e ter um anjo da guarda que esteja ali pronto para servir e apoiar, proteger e amparar quem quer que seja, mas pronto para intervir sim, ainda que nos liames de suas forças e promovendo a resposta através de informações a seus colegas de “reação”. Ele é a face primeira de uma corporação que deve e busca a cada dia a sua modernização.
    União PM, família ( célula mater da sociedade) e comunidade, tem tudo para dar certo, principalmente quando capacitamos os agentes, valorizando-os e integrando-os a uma cultura de pertencimento a nossa instituição.
    Parabenizo o Comandante Geral e abraço toda a família miliciana !!!

  7. Excelente ferramenta de relacionamento com a tropa e a comunidade. Na 63ª CIPM temos praticado essa “Filosofia de Comando” e os resultados positivos compensam todas as labutas que enfrentamos no cumprimento desta nobre e árdua missão.
    Felicidades ao Cmt-Geral da Briosa PMBA!

  8. Os Policiais Militares tem que se defender da imprensa que só faz alimentar o senso comum. Se aproximem do povo. Mostrem quem está por trás da farda. Gravem vídeos e façam circular por aí. O que existe hoje é um grande abismo entre os profissionais de segurança e o povo; mesmo sendo esses profissionais, parte do povo. Tenho muitos amigos da polícia que estão desmotivados.
    É preciso fazer circular e tornar conhecido os acertos para que eles se sobreponham a qualquer equivoco que por ventura venha a acontecer.

  9. Boa Tarde, a minha pergunta é sobre a modificação no edital de convocação para a realização dos exames admissionais do dia 26 de março de 2015, os candidatos que já haviam providenciado os seus exames médicos e laboratoriais a partir do dia 17/03/15 terão os mesmos aceitos de acordo com a nova data de apresentação?
    Gostaria que a resposta fosse divulgada em algum canal público pois acredito que existem muitos candidatos que se encontram na mesma situação.
    Grata.

  10. Acredito sinceramente na filosofia de aproximação da tropa com a comunidade, pois sou educador e por experiência própria, essa filosofia vem dando certo no que tange a escola em parceria com a comunidade local. Essa aproximação faz com que conheçamos melhor os responsáveis pelas crianças e, alguns problemas que eles enfrentam em seu contexto social, refletindo assim, no comportamento do aluno na escola e, algumas possíveis soluções desses problemas, dentro do nosso âmbito escolar, sem deixar que ele se agrave ou tome uma proporção que fuja do nosso controle .
    Dessa forma, se tivermos realmente profissionais capacitados e conscientes da importância dessa filosofia, teremos bons resultados, mas não de imediato, será uma semente que estaremos plantando e, que teremos que que cuidar a cada dia, para que então, possamos ter boas árvores (pessoas), que darão bons frutos (comportamentos), em um futuro não tão próximo, mas, que virá! Boa sorte a todos que estão imbuídos nessa nova missão, e o pensamento positivo, atrai resultados também positivos.
    Cordialmente.

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